domingo, 27 de junho de 2010

GESTO OBSCENO


Quase sempre prostrado e bastante descontente com seu estado de apatia, Michael Klienhouse (o ator Gal Zaid), personagem do drama Gesto Obsceno, amarga dias entediantes em casa. A vida desse deprimido analista de sistemas, casado com a enfermeira Tamar (Keren Mor) e pai de uma criança pequena, sofrerá uma reviravolta. Tudo por causa de um incidente de proporções catastróficas. No carro com a mulher, Michael atrapalha a fluência do trânsito e, atrás, um motorista mais apressado buzina incessantemente. Tamar revida fazendo o gesto obsceno do título do filme. O saldo do imbróglio: a porta do veículo do casal é arrancada pelo condutor ofendido. Michel, porém, não deixará barato. Como a polícia o aconselha a esquecer o assunto, ele descobre, por intermédio de um primo picareta, que o causador do estrago mantém negócios ilícitos. Resultado: comprará briga com um bandido. A tensão é constante no segundo longa-metragem do diretor israelense Tzahi Grad, de 47 anos. Ambientada na semana do Dia do Holocausto, a trama mostra um fato curioso de Israel. Nessa data – uma lembrança pelos 6 milhões de judeus mortos na II Guerra –, os habitantes interrompem as atividades ao soar de uma sirene. O alarme dura cerca de dois minutos e reforça o clima de pesadelo no qual o protagonista vai submergir. Outro acerto está na condução. Ora pausados, ora frenéticos, os compassos ilustram momentos de indolência e nervosismo de um anti-herói prestes a explodir.

Nenhum comentário: