sexta-feira, 15 de outubro de 2010

VILLA AMALIA

Imagine uma dessas cenas impulsivas em que uma mulher, num restaurante, se irrita com seu namorado, lhe atira um copo de vinho no rosto, depois se levanta e parte, furiosa. Agora imagine, durante quarenta minutos, uma sucessão de cenas desse gênero. Bem-vindo à primeira metade de Villa Amalia.No filme, uma pianista de sucesso (Isabelle Huppert) flagra o namorado a traindo e se revolta. Como o mundo em torno é realmente hostil (o namorado é o tipo ogro que responde “mas não foi nada, só um caso!”) e como ela não tem amigos, decide abandonar tudo. Passamos a vê-la vendendo o carro, o piano, a casa, fechando a conta no banco, terminando o contrato de trabalho, procurando uma nova casa etc, etc, etc. Talvez o problema de credibilidade com esta “revolução” venha justamente da facilidade da mudança: nossa pianista é riquíssima, fala várias línguas e se desfaz da vida anterior facilmente, sem preocupações. Ela pode pagar todas essas viagens, todas as cabanas que aparecem à sua frente, ela pode arcar com todos os custos de uma nova vida. Frente ao grande poder que lhe é conferido (ver seu poder dominador sobre o amigo gay), sua road trip pode simplesmente parecer uma dessas grandes crises da pequena burguesia, do tipo que “precisa se encontrar” numa ilha tropical. Ainda assim, pode ser um deleite ver um papel forte e brusco dado a uma atriz sempre forte e brusca ela também. Isabelle Huppert é o tipo de atriz tão potente e singular que, se o diretor não a segura com rédeas curtas, ela engole o filme. Em Villa Amalia, ela domina e se diverte como quer. Basta vê-la abandonar um concerto de piano em plena execução, dirigir-se saltitando ao camarim e afirmar ao patrão, toda mimada e sem olhá-lo nos olhos, que ela quer “parar com tudo; é só falar o preço que eu pago”. Uma jóia

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